Para exemplificar melhor a terceira concepção de linguagem, aquela chamada interacionista ou sociodiscursiva, vamos assistir a um curta metragem que demonstra que a interação entre dois sujeitos envolve o conhecimento de outros domínios, além daqueles meramente linguísticos.
Neste curta, intitulado "SIGNS", tradução = sinais, podemos ver que ocorre uma aproximação entre duas pessoas, o início de um relacionamento amoroso parece indicar, onde os dois personagens se encontram distantes em espaço, mas que utilizam-se de pequenos enunciados para se aproximar, aliás, mais do que isso, para interagirem. Contudo, eles não precisam dizer muito um para o outro, eles não fazem grandes textos para se conhecerem, brincarem, fazerem companhia e até combinar para se encontrarem pessoalmente. Isso acontece porque eles utilizam uma linguagem que ambos compreendem, além de que as intenções e os temperamentos de ambos favorecem a economia de palavras. Bom, eles falam o mesmo idioma, o inglês, e utilizam-se de uma linguagem verbal com palavras, abreviações e sinais de pontuação. Mas, não é só isso. Eles também podem se ver e utilizam outra linguagem para que aconteça essa interação - a linguagem das expressões faciais e dos gestos. Podemos perceber em alguns momentos que eles também utilizam símbolos conhecidos universalmente, como carinhas, parecidas com aquelas dos "emoticons" do Messenger, jogos da velha etc.
Como ambos parecem conhecer todas essas linguagens, a comunicação flui naturalmente e isso faz com que o texto que produzam seja sociodiscursivo. Discursivo, porque vem de "discurso", quer dizer, "dizer em curso", como o processo de construção textual que está sempre em movimento. E social, porque utilizam linguagens que mais de um indivíduo conhece, ou seja, que são socialmente partilhadas (Ex.: o idioma Inglês que é falado por milhões de pessoas). Além disso, os dois são trabalhadores de um ambiente em comum, o empresarial, onde a pressa e a facilitação da linguagem tornam-se necessários no dia-a-dia, portanto, partilham do mesmo conhecimento de mundo, pelo menos o do profissional. Enfim, outras coisas auxiliam essa interação entre os dois também.
Bom, esse exercício de leitura expõe como um texto é complexo e envolve diversos elementos, além dos propriamente textuais, a exemplo das condições sócio-históricas dos falantes envolvidos. Da mesma forma, devemos pensar a leitura e a produção textual. Quando lemos, temos que prestar atenção em outros elementos, além das palavras, dos sinais de pontuação, dos parágrafos etc. Devemos fazer diversas perguntas do tipo "para quem é destinado esse texto?", "com que finalidade?", "quando foi escrito?", "em que contexto?", "quais são as ideias principais?", "como ele está escrito?", "que linguagens utiliza?". Assim, também, deve ser com a produção textual, isto é, quando nos colocamos do outro lado do discurso. Temos que pensar no outro que irá ler o texto e buscar interagir ao máximo com ele(a). Outras perguntas, antes mesmo de encostar a caneta no papel e de teclar, devem ser feitas, para que as respostas nos orientem pelo caminho mais adequado. Essas perguntas podem ser do tipo "para quê vou escrever?", "para quem escreverei?", "o que o outro já conhece sobre o que vou falar?", "que tipo de texto e de linguagem devo utilizar para esta situação?". Enfim, esta breve reflexão é apenas uma forma de iniciar essa nossa viagem. Valeu!