No nosso penúltimo encontro da oficina, falamos sobre as práticas da leitura e da escrita no ambiente virtual e também com alguns elementos das NTIC's, que são todas as novas tecnologias da comunicação e da informação que surgiram em meados da década de 70 do século passado, no âmbito da Terceira Revolução Industrial ou Revolução Telemática ou Informacional.
Um texto que explica bem esse contexto das NTIC's pode ser encontrado em: http://www.jose-crispim.pt/artigos/conceitos/conc_art/01_tic_ntic.html
Contudo, antes de avançar um pouco mais, devemos sempre lembrar que o termo 'tecnologia' não é moderno ou contemporâneo, mas designa toda a ferramenta que provoca uma mudança, ou uma espécie de "avanço", nas práticas sociais, a exemplo da comunicação. Portanto, muito antes dos computadores e dos textos em PDF, tivemos o livro como uma das tecnologias mais revolucionárias no mundo da leitura e da escrita. Vejamos um vídeo que busca fazer um comparativo entre as práticas da leitura e as mudanças sofridas com as tecnologias.
Agora, situando mesmo no contexto da contemporaneidade, podemos falar que estamos cercados de NTIC's e que sua avalanche nos provoca maneiras um pouco diferenciadas de enxergarmos a linguagem do que aquela imagem costumeira com o velho papel, a caneta e o lápis. Sobretudo com relação à interação, podemos dizer que a todo o momento os meios tecnológicos nos permitem e nos induzem a ser mais ativos quando a questão é linguagem. Não estou dizendo sobre a qualidade das produções textuais, mas é inegável o fato de que, hoje, conversamos mais e produzimos em maior quantidade textos de usos sociais, do que quando não tínhamos mecanismos de interfaces que aproximam pessoas e lugares tão distantes como agora. Vejamos outro vídeo sobre a linguagem e a interação com as NTIC's:
Além disso, podemos dizer que com a internet essa interação passou a ser "síncrona", quer dizer, ela ficou, cada vez mais, simultânea, no mesmo tempo, o que exige do produtor de textos e do leitor maior atenção e agilidade nas respostas.
Segundo um estudioso da linguagem, Luís Antônio Marcuschi (2002, p. 7),
"É inegável que a tecnologia do computador, em especial com o surgimento da internet, criou uma imensa rede social (virtual) que liga os mais diversos indivíduos pelas mais diversificadas formas numa velocidade espantosa e na maioria dos casos numa relação síncrona. Isso dá uma nova noção de interação social."
E, claro, com essa interação mais urgente, impulsiona-se mais ainda um outro tipo de sociabilidade, a sociabilidade digital. Exemplos dessa participação mais ativa são as 'enquetes' de jornais eletrônicos, os 'bate-papos' do Messenger e os 'Fóruns de discussão' de temáticas específicas espalhados em sites e redes sociais da internet.
Outro elemento textual que exige maior interação por parte dos usuários da linguagem e, também, dos usuários das NTIC's é o famoso HIPERTEXTO. São esses textos contidos em um outro texto que podem ser acessados com um click no link que aparece quando se passa o cursor do mouse por cima dele. O link, na verdade, funciona como um portal onde a leitura se encaminha em um outro texto que faz parte ou explica o texto primeiro. Mas, o maior barato do hipertexto é que ele não tem uma ordem pré-definida, ou seja, não vem com uma regra para abri-lo e nem com uma ordem de qual deve ser aberto primeiro. Muitos exemplos de hipertextos já foram dados nesse blog, quando, por exemplo, se coloca o endereço eletrônico de algum texto ou de uma imagem ou até o vídeo do youtube que vocês visualizam nos textos postados aqui. Mas, para fixar a imagem clássica de hipertextos, vejamos um texto cheio deles:
Segundo o filósofo Pierre Lévy (1993, p. 33), os hipertextos são:
"um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertexto. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda como nó, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. Navegar em um hipertexto significa, portanto, desenhar um percurso em uma rede que pode ser tão complicada quanto possível. Porque cada nó pode, por sua vez, conter uma rede inteira."
Daremos continuidade à exposição do conteúdo desse encontro em breve!


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